BIBLIOTECA NACIONAL DA SUÉCIA - KUNGLIGA BIBLIOTEKET


O edifício está em obras, mas um cartaz com uma jovem sorrindo, convidava a todos a entrar.

Em setembro de 2012, visitei a Biblioteca Nacional da Suécia (Kungliga biblioteket) e tive a oportunidade de conhecer de perto alguns dos espaços reservados graças a gentileza do Arquivista Fernando Sequeira e da Bibliotecária Catharina Melldahl que atenciosamente abriram as portas da Instituição.

O local, é enorme e bonito e durante a visita pude observar a permanência de inúmeros pesquisadores que faziam uso do espaço para realização de seus estudos e pesquisas. 

Sobre as funções da Biblioteca, deixo o texto abaixo com as informações enviadas por Fernando, que apontam de forma muito clara o que a Biblioteca Nacional da Suécia, tem a oferecer.

 No hall de entrada, a estátua, o “Homem que Escreve” 
A Biblioteca nacional da Suécia

Por Fernando Sequeira

A Biblioteca Nacional da Suécia chama-se em Sueco Kungliga biblioteket (Biblioteca Real). A Biblioteca recolhe e preserva todo o material de audio, vídeo e impresso publicado na Suécia.

As coleções da Biblioteca Nacional estão ao acesso de todos, mas principalmente dirigidas à investigação científica. O material da coleção Sueca não pode ser emprestado, apenas podendo ser estudado “in loco”. A maior parte do material encontra-se armazenado e deve ser solicitado com antecedência.


Salão principal, todos podem ter acesso, principalmente aqueles que destinam seu
tempo a investigação científica. O local mais bonito!

Outro salão, esse reservado apenas a pesquisadores que estão com estudos avançados
As coleções

A Biblioteca Nacional conta com mais de 20 milhões de artigos. Para além dos livros, existem cartazes, fotografias, impressos e manuscritos. A coleção audiovisual é composta por mais de 8 milhões de horas de registro. A Biblioteca Nacional administra documentos/ coleções pessoais entre outros de Astrid Lindgren, August Strindberg e Dag Hammarskjöld.

Depósito legal

Segundo a atual legislação em vigor, em termos de Depósito legal, todos os materiais impressos que se difundam na Suécia têm que ser enviados para arquivo, uma cópia de cada obra publicada, para a Biblioteca Nacional e para mais 6 outras bibliotecas de investigação. Os editores de música, cinema, televisão e radio têm, que de maneira similar, entregar cópias para a Biblioteca Nacional. Exceções existem em alguns casos no que diz respeito a parte de transmissões.

A Lei de Depósito legal tem origem em 1661, tornando obrigatório que todas as imprensas na Suécia enviassem cópias para arquivo de cada publicação impressa, uma cópia para o Arquivo Nacional, que em Sueco se chama Riksarkivet (Arquivo do Reino) e outra para a Biblioteca Nacional. A lei fez-se mais para controlar a opinião pública do que para preservar e conservar os documentos para futuras gerações.

A Biblioteca Nacional da Suécia, é um local efetivamente de estudos, na maioria dos casos,
com estruturas individuais. Na foto, porém, um grupo estudando numa área reservada. 

Para os pesquisadores de cinema, a coleção de áudio visual é incrível.
Inclusive material do Brasil, se a obra foi veiculada com subtítulos suecos. 
Material electrónico

A partir de 2012 a Lei de depósito legal inclue materiais electrónicos, digitais. Isto significa que os editores de publicações periódicas (jornais e revistas) e algumas publicações digitais devem entregar o seu conteúdo para arquivo à Biblioteca Nacional.

Cooperação com outras bibliotecas

A Biblioteca Nacional coordena as bibliotecas financiadas com fundos públicos (estatais) na Suécia. Por exemplo, as bibliotecas públicas, escolares e universitárias. Isto inclui a negociação de um acordo de licenças chave para facilitar o acesso a diferentes bases de dados.

A Biblioteca Nacional coordena também uma série de sábios/expertos e grupos de expertos que trabalham com temas relacionados com as bibliotecas de todo o mundo, por exemplo, em digitalização, em sistemas de classificação e de catálogo comum Libris. Organiza também cursos de formação e apoio aos projectos relacionados com a Biblioteca Nacional.

Cabines individuais com acesso a internet.

Autoridade

A Biblioteca Nacional é uma entidade pública regulada pelo Ministério da Educação. O chefe da Biblioteca Nacional tem o título de Bibliotecário Nacional (Riksbibliotekarie=Bibliotecário do Reino). Gunilla Herdenberg é, desde 2012, a Bibliotecária Nacional.

Biblioteca de investigação

A Biblioteca Nacional é também uma biblioteca de investigação em Humanidades, adquirindo literatura acadêmica em vários idiomas.

Visitas

A Biblioteca Nacional encontra-se situada no parque Humlegården, no centro de Estocolmo e está aberta ao público. Qualquer pessoa maior de 18 anos, que possa identificar-se, pode solicitar material das coleções. Para as coleções audiovisuais aplicam-se regras especiais. Existem também regras especiais para as pessoas que não residem na Suécia ou que não possuam um bilhete de identidade Sueco.

Estocolmo, 31 de Agosto de 2012.

Tradução livre, de Fernando Sequeira Silvestre/Arkivarie, de översättning av Space 360 AB/Uppdragsnr: KB-35311-11SP/Org.nr. 55654-4897/Certified enligt SS-EN ISO 9001:2008


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Fernando Sequeira, Soraia Magalhães e Catharina Melldahl.
Ao fundo o belo salão da Biblioteca Nacional da Suécia. 


Um dado curioso da Biblioteca Nacional da Suécia é que todos os que trabalham na recepção são bibliotecários ou pessoal do “departamento/ secção de economia”. De acordo com Fernando Sequeira, todos fazem revesamento ocupando uma parte do trabalho nesse setor "e até o Bibliotecário Nacional fazia atendimento ao público, mas por questões de agenda profissional, hoje, já não é possível." Completou.

Deixo como lembrança duas fotos especiais desse momento, com Fernando Sequeira e Catharina Melldahl e aproveito para agradecer a ambos pela atenção que me foi dedicada.

Fernando solidário ao Movimento ABRE BIBLIOTECA!
Agradeço um pouco mais ao Fernando, por sua predisposição em posar com o cartaz do Movimento Abre Biblioteca, contribuindo assim na luta pela reabertura da Biblioteca Pública do Amazonas, fechada há mais de cinco anos para reforma.


Fotos: Soraia Magalhães e Peter Janzon
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