MUQUIFOCA: MUSEU NO CARRINHO DE PIPOCA


Último post sobre o que vi no primeiro Festival Literário Internacional de Belo Horizonte - FLI-BH. Esse deixei para o final, pelo inusitado encontro com uma adorável ideia colocada em prática em torno de uma proposta museológica. Se chama Muquifoca = um museu no carrinho de pipoca!


Consiste em uma proposta de museu itinerante idealizada por um professor dos tempos de faculdade do museólogo Augusto de Paula, que atua como voluntário do Muquifu (Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos). À frente da instituição, localizada no Aglomerado Santa Lúcia/Morro do Papagaio em BH, está o Padre Mauro Luiz da Silva. No site do Muquifu consta a seguinte definição:
O Muquifu – Museus dos Quilombos e Favelas Urbanos, tem como vocação garantir o reconhecimento e a salvaguarda das favelas, os verdadeiros quilombos urbanos do Brasil: lugares não apenas de sofrimento e de privações, mas, também, de memória coletiva digna de ser cuidada. A instituição reúne como acervo fotografias, objetos, imagens de festas, danças, celebrações, tradições e histórias que representam a tradição e a vida cultural dos moradores das diversas favelas e quilombos urbanos do Estado de Minas Gerais. O Muquifu nasce com a proposta de ser um museu de território e comunitário, como instrumento de resistência diante do risco iminente de expulsão dos favelados dos centros urbanos; reconhecimento e preservação do patrimônio, das histórias, das memórias e dos bens culturais dos moradores dos Quilombos Urbanos e Favelas de Belo Horizonte.
A criação do Muquifoca ocorreu da seguinte forma: era necessário encontrar um carrinho de pipoca. Encontrado! Faltava passar por várias adaptações, pintura e ampliação de espaços. Era preciso não esquecer um cantinho para a criação de uma pequena biblioteca. Aliás, foi ela, a palavra "biblioteca" que me chamou a atenção junto a elementos contidos em exposição: bonecas, bichinhos e outros pequenos objetos.

O objetivo do Muquifoca é fazer com que o acervo do Muquifu não se restrinja a um espaço físico, que possa ir além, despertar olhares sobre os povos que moram nas favelas, inclusive um dos elementos em exposição eram bonecas Barbie vestidas com uniformes de empregas domésticas. Suscitando reflexão!


Não será dessa vez que poderei conhecer o Muquifu, pois já estou partindo. De qualquer forma, foi especial ver de perto um fragmento do trabalho e saber que equipamentos culturais como esses podem surgir do sonho e da vontade de fazer a diferença!

Deixo meus parabéns a todos que trabalham pelo Muquifu (e pelo Muquifoca) em especial ao Padre Mauro Luiz e ao Augusto de Paula, a quem por sinal, no pouco que conversamos deu pra perceber todo seu entusiasmo pelo trabalho. 


Fotos: Soraia Magalhães
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