KATTY ANNE NUNES - PROFISSÃO: BIBLIOTECÁRIA


Pensando em tantas colegas bibliotecárias que realizam seu trabalho com amor e dedicação, posto para homenagear o dia Internacional da Mulher, a entrevista da amiga Katty Anny Nunes, que apesar de profissional efetiva há apenas alguns meses, já viveu grandes experiências. Katty, tem o brilho nos olhos quando fala da Biblioteconomia. Apaixonada por viagens (não sei como ela esqueceu de falar isso nessa entrevista), também vem caçando museus e bibliotecas. Juntas, até já vivemos algumas aventuras...como numa viagem a Venezuela onde encontramos uma enorme biblioteca "meio abandonada". A gente nem pensou...como a porta estava só encostada, entramos...o lugar não tinha uma viva alma e dava até medo...Ahhh, isso é outra história...Deixo vocês com a entrevista da Katty e proveito para desejar a todas as MULHERES, em especial às colegas bibliotecárias, um excelente dia!!!

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1. Conte-nos onde nasceu, cresceu e como foi a sua relação com a leitura nos primeiros anos.

Nasci e cresci em Manaus. Não vivi num ambiente cheio de livros onde meus pais liam histórias, porém, tive contato com os livros nas séries iniciais e logo me apaixonei. Lembro-me perfeitamente da Cartilha Caminho Suave, foi com esse material que eu aprendi a ler. Adorava o contato com os livros, amava ficar folheando, vendo as figuras e faço isso até hoje, pois livros infantis são minhas paixões.

2. Quando você teve acesso a uma biblioteca pela primeira vez?

No ensino fundamental não tive acesso a uma biblioteca propriamente dita, porém fiquei conhecedora desse espaço por que a professora de Língua Portuguesa pegava os livros na biblioteca e levava para sala de aula, ela permitia que nós alunos, levássemos para lermos em casa. No meu ensino médio quando fui estudar no Instituto de Educação do Amazonas - IEA, conheci a biblioteca da escola, acredito que aí tenha ocorrido o meu primeiro contato com esse espaço e também passei a frequentar as demais bibliotecas existentes no centro da cidade como: Biblioteca Pública do Estado (que eu quase não ia) e a Biblioteca da Casa da Cultura.

3. O que lhe motivou a fazer Biblioteconomia?

Quando conheci as primeiras bibliotecas já citadas, logo me encantei e já gostava muito de livros e leitura, no entanto não sabia que existia um profissional que trabalhasse exclusivamente com isso, pois no meu ensino médio era uma professora que tomava conta da biblioteca, com isso pensava que era um pedagogo ou um professor, que fosse o “bibliotecário”, até que fui estudar no SENAI e conheci uma bibliotecária de verdade. Era Elisabeth Pinho Omena (Dona Beth), ela foi à nossa acolhida apresentar a biblioteca, adorei de cara e, a partir desse dia, ao conhecer o seu trabalho me interessei pela profissão que até então desconhecia e em 2007 no vestibular e PSC da Universidade Federal do Amazonas - UFAM não deu outra, era Biblioteconomia que eu queria.

4. Que disciplina mais gostava quando era estudante?

Sempre gostei mais das disciplinas voltadas para o lado histórico, educacional, social, então Produção do Registro do Conhecimento I e II foram disciplinas bem legais. Mas não posso negar que também tenho uma queda pelas disciplinas de Linguagens documentárias.

5. Que tipo de biblioteca tem mais afinidade (escolar, pública, universitária, especializada, etc)

Tive contato com bibliotecas Universitária, Escolar, digital e Comunitária, mas a que amo de todo coração é a escolar.

6. Conte-nos um pouco de sua trajetória profissional.

Minha trajetória profissional está só começando. No entanto, já tive contato com outras atividades que envolvem a área da Ciência da Informação, além da Biblioteconomia trabalhei com elementos da Museologia e Arquivologia. Estagiei no Museu Amazônico - UFAM, onde aprendi sobre montagem de exposições e tive a oportunidade de trabalhar com arquivo histórico, com documentação da época da economia da Borracha e trabalhei no arquivo da SAMEL, com prontuários médicos. Outra experiência muito marcante foi ter passado pelo Programa de Comunicação Científica na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM, quando fui bolsista de graduação na área de Biblioteconomia. Trabalhei com a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD e com banco de imagens, juntamente com a Soraia Magalhães. Nesse período tive contato com a Comunicação Científica e com profissionais de outras áreas como Rádio, TV, Jornalismo, Letras, foi onde pude vivenciar o mundo da interdisciplinaridade. Passei também pela Biblioteca Escolar do Colégio Pré Médico, meu primeiro contato com biblioteca escolar e confesso que adorei.
Agora encontro-me concursada pela Secretaria de Educação do Município – SEMED atuando na Biblioteca Pólo da escolar Nossa Senhora das Graças que também é escolar. Estou a espera da visita do Caçadores de Bibliotecas para mostrar um pouco do trabalho que estamos desenvolvendo.

7. Agora, atuando numa biblioteca escolar da rede pública municipal de ensino quais são os seus sonhos e projetos para esse trabalho?

Meu sonho é estender o trabalho além das paredes da escola. Na zona, na qual estou inserida - Zona Leste II, pretendo me empenhar para que a biblioteca tenha a participação da comunidade.


8. Que conselho daria para uma pessoa que deseja seguir a carreira bibliotecária?


Que tenha paciência, jogo de cintura, seja dinâmico, pois é uma profissão pouco reconhecida até o momento, porém apaixonante para quem de fato se identifica e gratificante para quem investe, busca conhecimento e faz seu trabalho bem feito (garanto que não fica desempregado).

9. Em que momento você desmistificou o fazer bibliotecário, haja vista que a maioria das pessoas ingressa na universidade acreditando que o ambiente de trabalho está condicionado somente a livros e espaços de bibliotecas?

Desmistifiquei o nosso campo de atuação no 3º período quando participei do meu primeiro Encontro Nacional dos Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência e Gestão da Informação - ENEBD, com essa experiência pude observar apresentações de trabalhos de acadêmicos de outras universidades e ver o que eles estavam fazendo/produzindo em seus estados/cidades. Outra experiencia que me fez ver a biblioteconomia com outros olhos ocorreu no periodo em que participei do Programa de Mobilidade Estudantil, onde tive a oportunidade de estudar um semestre na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e lá vi pessoas trabalhando em emissoras de TV, central de linha de trem, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, etc e atuavam nesses espaços na área biblioteconômica.

1O. Você acha que uma pessoa que escolhe essa profissão tem que gostar de ler? Justifique sua resposta.

Com todo certeza, pois trabalhará na organização e disseminação de informações. Como você organizará se não souber quais materiais você dispõe? e como dirá para seu usuário que isso ou aquilo é o que ele precisa se você não conhecer? Se seu campo de atuação for biblioteca escolar, aí então nem se fala, pois seus usuários te obrigarão a ler. Outra situação que nos leva a ler muito é o fato de quando passamos atuar na área, o ambiente e os materiais de trabalho são os mais diversos. Na universidade não damos conta de aprender tudo, claro... então precisamos ler, estudar, pesquisar para saber como melhor trabalhar na tipologia da biblioteca que estivermos inseridos.

11. Qual a biblioteca mais fantástica que já visitou e a que sonha ainda conhecer?

A Biblioteca Nacional foi a que mais marcou até o momento, quando visitei cheguei até a dizer que um dia trabalharia lá, vamos ver rsrs. E a que sonho em conhecer é a de Alexandria – nossa que espetáculo de biblioteca - não posso morrer sem antes conhecê-la.

12. Dentre os tantos livros que você já leu, cite um e recomende.

Essa pergunta se parece com um tópico do mural da biblioteca escolar na qual eu trabalhava chamado “Que livro você indica”, as crianças tinham que indicar... Bom agora que o quadro se inverteu, sou eu que tenho que indicar... Não é difícil pois foram tantos livros bons ou ótimos, então começo com "A revolução dos bichos" de George Orwel, gostei muito! Ele dá um toque muito social e ao mesmo tempo é uma fábula. No campo dos Best seller indico "A cidade do Sol", livro tocante que relata a vida da mulher no Oriente Médio, bem emocionante. E para nossa área, o clássico do Luis Milanese: Biblioteca. Mas para quem gosta de literatura infantil indico: "A verdadeira história do lobo mal e os três porquinhos" de Jon Scieszka, "Sofia e o bicho papinha", de Wilson Roberto, "O reizinho mandão" da Ruth Rocha e tantos outros.



13. Qual sua opinião sobre o contexto atual da profissão?

Acredito que estamos ganhando espaço, não somente porque as novas tecnologias e a Lei de universalização da biblioteca escolar estão nos abrindo novos horizontes, mas acredito que também seja pelo fato de o próprio profissional está se valorizando, batendo no peito e dizendo “SOU BIBLIOTECARIO (A)”, pelos menos é o que estou vendo nessa nova geração que está se formando, mas ainda faltam muitas conquistas e com certeza mais dedicação e amor à profissão.

14. Como você vê a atuação da biblioteca pública de sua cidade?

A Biblioteca Pública do Estado do Amazonas não vem desenvolvendo o papel para o qual foi criada, pois desde março de 2007 por motivo de reforma encontra-se fechada, então é um espaço que não está sendo utilizado há muito tempo. É um descaso com a população e em especial com a comunidade de estudantes e pesquisadores que dela tanto necessitam.

15. Há algum bibliotecário (a) que você considera fora de série?

A bibliotecária Ana Virginia que é chefe do departamento de obras raras da Biblioteca Nacional. Nossa...quando a vi no Programa do Jô Soares fiquei babando, quando tive a oportunidade de assistir uma palestra e fazer um mini curso com ela me tornei mais fã ainda. Há outras personagens mais próximas, mas citarei apenas a Dona Beth (do SENAI) não só por ter-me feito apaixonar pela profissão, mais por sua história profissional (com mais de 70 anos ela ainda não se encontra pronta para se aposentar e fica se perguntando o que fará com tanto conhecimento adquirido ao longo da sua vida).

16. Do que mais gosta na sua profissão?

Da diversidade do campo de atuação. Acho que assim muitos colegas não tem como dizer que não gostam da profissão, dependendo do perfil, podem atuar no campo mais voltado para a área técnica, ou na referência, há muitas opções para se buscar identificação. Gosto também da tão famosa interdisciplinaridade que nos permite atuar sempre com profissionais de outras áreas, acho super massa essa possibilidade.

17. Fique a vontade para fazer seus comentários finais.

Soraia, gostaria de te parabenizar pelo blog, sei que você faz tudo isso com muito amor. Tive a oportunidade de acompanhar algumas de suas andanças e também me sentia uma Caçadora de Bibliotecas (não esqueço da Biblioteca de Santa Helena na Venezuela e da Biblioteca Pública de Humaitá). Espero que você continue com esse trabalho maravilhoso e que o blog possa ser cada dia mais conhecido e visitado.

Foto: Acervo pessoal de Katty Anne
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