BIBLIOTHÈQUE MÉJANES – AIX-EN-PROVENCE


É com prazer que escrevo para anunciar mais um ganho significativo para o Caçadores de Bibliotecas, a parceria com os Bibliotecários Zé Estorniolo e Marina Macambyra que apaixonados por viagens, em suas andanças por diferentes cidades, carregam na bagagem o gosto por visitar bibliotecas. Ambos atuam na Universidade de São Paulo e são os criadores do blog Chatos pra viagem, no qual apresentam considerações sinceras sobre experiências vividas em diferentes cidades. Aproveito para dar as boas vindas e dizer que me sinto honrada com as participações que iniciam com a visão de uma Biblioteca inspiradora. Quem não gostaria de viver uma experiência na Bibliothèque Méjanes? De nome talvez não diga muito no Brasil, mais as imagens de sua fachada com os grande livros, ninguém consegue esquecer. 

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Por Zé Estorniolo e Marina Macambyra

O primeiro impacto ao visitar a Biblioteca Méjanes é a sua entrada em forma de livros gigantes. A fachada, do arquiteto Philippe Deslandes e do decorador Gerard Ottaviano, homenageia três importantes autores franceses - Antoine de Saint-Exupéry, Molière e Albert Camus - e enche os olhos dos fanáticos por leitura.

 
  
A Biblioteca Méjanes e sete instituições associadas formam a Citè du Livre, em Aix-en-Provence (França).


Os parceiros institucionais da Biblioteca Méjanes envolvidos no dinamismo cultural da Cidade do Livro são: Les Écritures Croisées, a Fundação Saint-John Perse, o Departamento de Informação-Comunicação do IUT (Institut Universitaire de Techonologie – Aix-Marseille Université), a Agência Regional do Livro, o Collectif de Bibliothécaires et Intervenants en Action Culturelle, o Instituto da Imagem e o Centro de Oralidade da Langue d’Oc. A biblioteca e seus parceiros oferecem ao público mais de 250 eventos por ano, entre eles conferências, exposições, oficinas, palestras, reuniões etc.


A Cidade do Livro está instalada em uma antiga fábrica de palitos de fósforos, desativada em 1972, e ocupa dois edifícios com mais de 14.500m2. Suas principais atividades são o apoio e a difusão da literatura, leitura, cinema e todas as formas de cultura.

O nome da biblioteca é uma homenagem a Jean-Baptiste Marie de Piquet, marquês de Méjanes, bibliógrafo francês do século 18, que deixou à região da Provence, por testamento, sua biblioteca composta por mais de 60.000 volumes, com a condição de que o acervo fosse posto à disposição do público da cidade de Aix-en-Provence.


A Biblioteca Méjanes foi inaugurada em 1989 e oferece ao público vários espaços e coleções:

  • Adultes: espaço para leitores adultos, com acervos de livros, periódicos, documentários em DVD (consulta local ou empréstimo) e internet.





  • Jeunesse: espaço infanto-juvenil com acervo de livros, periódicos, CDs, DVDs (consulta local ou empréstimo) e internet.





  • Patrimoine (Centre Albert Camus): acervos antigos e raros, incluindo o acervo do marquês Méjanes. 
  • Arts du spectacle: o espaço oferece uma coleção relacionada à música, cinema, dança, tauromaquia, teatro e humor (consulta local ou empréstimo). 
  • Presse: espaço para consulta de jornais e revistas impressos.
  • Étude et Documentation / Métiers d’art: documentos das áreas de ciência e tecnologia, ciências humanas e sociais, arte, língua e literatura, filosofia e religiões e uma coleção de 14.000 obras em todos os campos das artes aplicadas, destinada aos artistas e artesãos, mas também disponíveis para o público em geral.
Computadores para acesso à internet e consulta do catálogo da biblioteca estão à disposição de todos os usuários.



A Biblioteca, com aproximadamente 9.000m2, é o núcleo de uma rede de leitura pública que inclui três bibliotecas ramais: Deux Ormes, Halle aux Grains e Li Campaneto, além de um serviço que conta com dois médiabus (biblioteca móvel multimídia).


Os espaços da biblioteca são simpáticos, confortáveis e acolhedores. A disposição em estantes baixas e vários modelos de expositores convida ao contato com o acervo.






A comunicação com o leitor é feita de maneira informal e bem-humorada.


Usuários podem entrar com bolsas, mochilas, patins e skates e há uma máquina de comidinhas e de bebidas no saguão.




Fizemos uma visita informal à biblioteca, sem acompanhamento. Não nos identificamos como bibliotecários, apenas entramos e perguntamos, nos vários espaços, se podíamos fotografar. A resposta foi sempre a mesma: sim, desde que não fotografássemos as pessoas.


A visita foi feita no período de férias escolares e por isso não havia muitos usuários, mas conseguimos perceber sinais de integração forte entre a biblioteca e a comunidade. Um exemplo é o programa “Un livre dans ma valise”, em parceria com vários colégios da cidade, onde alunos entre 10 e 14 anos escolhem, dentre uma seleção efetuada por bibliotecários da Méjanes e professores, livros para ler no período de férias e então fazem resumos, que são afixados em murais na biblioteca.


Fotos: Zé Estorniolo e Marina Macambyra
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