BIBLIOTECA MUNICIPAL DE HUMAITÁ: ABANDONO


15 de maio de 2019,  o município de Humaitá, no estado do Amazonas comemora 150 anos de existência, na verdade, data simbólica que marca o estabelecimento do comerciante português Francisco Monteiro na região em 1869. 

A cidade que nos dias atuais possui centro histórico com arquitetura remanescente do período da comercialização da borracha no estado, dispõe de edifício que data de 1903, onde esteve instalada a Biblioteca Pública Municipal Ferreira de Castro,  mas que está fechado esperando por reformas desde 2013. O nome da biblioteca é uma homenagem ao escritor português Ferreira de Castro.

A imagem que abre esse post é de 2011, período em que a Biblioteca tinha seu horário estendido até as 21 horas. Fiz um post naquele período contando sobre as impressões observadas

Humaitá tem significativa importância para mim pois foi a partir da visita realizada a sua biblioteca municipal que dei início a busca informacional por bibliotecas públicas no Amazonas,  ação que se estendeu por 32 municípios, uma aventura que está em vias de se tornar minha tese doutoral. Essas imagens fazem parte de registro desse estudo. 


A Biblioteca Pública de Humaitá em 2011 estava bem cuidada, na área interna o espaço chegava a surpreender. Na área externar, infelizmente as letras que deveriam estampar sua função na cultura da cidade estavam quase apagadas. 


O edifício que serviu ao longo do tempo diversas funções, em 1995 após reformado, passou a abrigar a Biblioteca Municipal de Humaitá. Em 2007 passou por nova reforma, conforme se pode ler na placa de identificação abaixo. É válido destacar que o município havia recebido Kit de Modernização do Programa Livro Aberto, uma das políticas públicas que possibilitou a criação e fortalecimento de  bibliotecas públicas no país. 


Nas imagens da área interna é possível observar como estava o salão principal de leitura em 2011. Naquele período fomos bem recebidos por Meire Lobato, que era uma das responsáveis pelo local.


O descaso com o patrimônio histórico do estado do Amazonas é latente. Em entrevista realizada em 2017, o ex-Secretário de Cultura do Estado do Amazonas, Robério Braga, apontou que estavam em processo de negociações, as ações em prol da reforma prédio da Biblioteca, contudo, ao que parece não ocorreram avanços.


O desinteresse nesse sentido se aplaca não só ao patrimônio histórico que segue deteriorado, mas demonstra o pouco valor que as gestões públicas depositam ao equipamento cultural biblioteca pública, exemplo claro que se abate também sobre Manaus e sua Biblioteca Pública Municipal

Tendo buscado informações sobre o contexto atual da Biblioteca Pública de Humaitá, o Secretário de Cultura Municipal, Ronald Siqueira, que pareceu sensível e efetivamente interessado pela cultura local, disse estar buscando soluções via Governo do Estado e Federal.

Eu creio que seria interessante buscar apoio inclusive fora do Brasil, talvez em terras portuguesas, alguma fundação voltada para a preservação da memória de Ferreira de Castro?  Talvez dariam mais importância. Com o atual governo, creio que a Cultura, a Educação, a Ciência e todos os avanços que obtivemos nos últimos anos estão comprometidos com a barbárie.


Dentre tantas cidades que conheci no estado do Amazonas, Humaitá foi uma das poucas que apresentava manifestação em praça pública voltada para o livro e literatura, nesse caso com o busto do português Ferreira de Castro e sua obra: A Selva.

É uma pena que as comemorações pelos 150 anos do município seguirão marcadas pelo descaso com o patrimônio histórico arquitetônico. 

O município de Humaitá está localizado ao sul do Estado do Amazonas, a 770 km de Manaus e a 200 km de Porto Velho por via terrestre. A visita à Biblioteca Pública de Humaitá foi realizada em parceria com Iara Magalhães, Katty Anne Nunes, Sebastião Alves.

Nos dias atuais a biblioteca funciona em um prédio alugado pela prefeitura.

Para ler sobre a história da Biblioteca Pública de Humaitá, acesse:

Para ler artigos que questionam a reforma da Biblioteca Pública de Humaitá. 


Fotos: Sebastião Alves e Soraia Magalhães
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