MAL ATENDIMENTO EM BIBLIOTECA

Hoje me senti desrespeitada em uma biblioteca. Ao passar para devolver livros no setor Infantil da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, havia adentrado o espaço sem guardar minha sacola*, pois não ia levar outros livros emprestados.

Uma das obras devolvidas, porém era "A parte que falta", de Shel Silverstein. No balcão, uma jovem atendente disse amar esse livro e gentilmente perguntou se eu queria levar o livro sequencial. Disse que não pois não teria tempo de voltar para devolver, que em alguns dias iria viajar. Ela insistiu que era lindo e curtinho. Achei tão gentil que decidi ler ali mesmo, rapidamente. Lembrando que não havia deixado a sacola no armário.

Devia ter lido de pé no balcão, pois ao me dirigir a uma das pequenas mesas, uma funcionária se dirigiu a menina que me havia emprestado o livro dizendo que eu não poderia ler ali, pois não era permitido estar com bolsas (eu havia deixado minha sacola junto ao balcão). 

Ao questionar a funcionária disse que era a regra, que estava seguindo ordens. Me indignei. Regras existem, modos de abordagem também. Eu estava apenas lendo um livro, um livro curto, um livro indicado por uma das meninas que atendiam no balcão.

Sai da Biblioteca sem ler o livro, sai chorando...

Passei o resto do dia incomodada com esse acontecimento e pensei muito antes de escrever esse relato, pois sei que repercute como crítica e algumas gestões não entendem críticas como algo construtivo, contudo não posso me calar diante da constatação de que se eu, me senti pouco a vontade em um ambiente em que tanto visito e que é meu objeto de estudo, penso quantas e quantos mais podem vir a sentir o mesmo constrangimento. Sobre o ocorrido, apesar de frustrada, sei que nunca deixarei de frequentar bibliotecas, mas penso que há quem desista...

É certo que deveria ter guardado minha sacola, já que havia decidido ler o livro, mas é certo que naquele momento a chefa do setor deveria agir com habilidade pois minha presença não oferecia ameaça para o espaço ou acervo. O que ficou claro foi a relevância da guarda de uma sacola, em detrimento a uma prática leitora.

Espero que esse desabafo, sirva para lembrar aos responsáveis por bibliotecas da importância dos setores de referências e da presença de profissionais com perfil adequado para atender com cortesia e habilidade todas as pessoas.

Breve voltarei ao setor infantil da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e quero ler "A parte que falta encontra o grande O". Aproveito para agradecer a gentileza da menina que indicou a obra. 


* Para devolução de livros estava permitido a entrada com bolsas e sacolas.


Foto: Soraia Magalhães

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2 comentários

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23 de abril de 2022 15:53 ×

Oi, amiga. Li seu relato hoje. Infelizmente passamos por essa e por outras em algumas bibliotecas. Acho super válido a equipe de bibliotecas terem treinamentos de atendimento ao cliente. Que vc volte para ler o livro, ele é lindo.

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24 de abril de 2022 00:01 ×

Querida Katty, sim eu volto amiga, esse tipo de acontecimento não deve servir para nos afastar das bibliotecas e sim gerar discussão e mudanças. Um beijo, quando ler o livro vou lembrar de você.

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