BIBLIOTECAS PÚBLICAS EM POÇOS DE CALDAS - MG


Foi uma agradável surpresa a constatação da existência de uma pequena rede de bibliotecas públicas em Poços de Caldas, Minas Gerais, pois de acordo com informações prestadas pela bibliotecária Magaly Franco, coordenadora dos espaços, o município dispõe de 4 bibliotecas públicas distribuídas entre o centro e os bairros da cidade, além de uma cabine de livros livres. 


O espaço geográfico reservado a principal biblioteca pública está localizada em uma das áreas mais valorizadas do centro histórico. Instalada, em uma das alas do edifício conhecido como Cassino da Urca, espaço que outrora funcionou como local de jogos, desde 1996 abriga além de outros ambientes culturais, também a biblioteca pública municipal.


De acordo com informação contidas no blog Bibliotecas de Poços de Caldas, sua trajetória já alcança 76 anos, pois foi, 
Fundada em 1944 pelo prefeito Dr. Joaquim Justino Ribeiro, foi recriada em 1968 pelo prefeito Dr. Haroldo Genofre Junqueira. Em 1972, em homenagem ao centenário de Poços de Caldas, foi recriada pelo prefeito Dr. Ronaldo Junqueira, recebendo o nome de Biblioteca Municipal Centenário. Até o ano de 1996 funcionou na antiga Casa de Chá do Pálace Hotel, atual Café Concerto. Em 1997, foi transferida para o Espaço Cultural da Urca, situado na Praça Getúlio Vargas.
Ocupando amplo salão de leitura, dispõe também de pequenas áreas reservadas para o público infantil ou para pequenos grupos em atividades de capacitação.


O espaço no grande salão de leitura dispõe de mesas coletivas que comportam até oito usuários em cada uma.


Além desse salão, há um corredor paralelo com cadeiras altas que podem ser utilizadas individualmente junto ao balcão interno. Em todos os ambientes, os livros estão ao alcance das mãos, o acesso as estantes é livre.


Foi muito agradável o encontro com Magaly Franco, que tornou mais fácil as condições de acesso aos espaços visitados. Na oportunidade, indaguei sobre sua visão quanto às bibliotecas públicas, na qual apontou que:
A biblioteca pública pra mim é um espaço de encontro. Ela não é só um lugar onde acomoda o acervo de uma cidade, ela é um lugar de acolhimento para todas as pessoas que passam, um local de informações variadas. A biblioteca é dinâmica, não pode parar no que ela era, um local só de empréstimos, ela tem que estar atraindo a comunidade, principalmente atraindo novos utentes. Outra coisa que acontece na nossa biblioteca, creio que acontece em outras bibliotecas é a presença de pessoas em situação de vulnerabilidade e a gente tem que acatar, nós temos que acolher o ser humano. 
Excelente a visão exposta por Magaly, haja vista que bibliotecas públicas precisam se reinventar e tornar cada vez mais exequível o seu papel na construção da cidadania informacional. Um elemento interessante, em uma das paredes Biblioteca, um quadro continha as recomendações do Manifesto da UNESCO para Bibliotecas Públicas, de 1994.


De negativo, percebi que a área reservada para o público infantil é pequeno e poderia ser muito mais atraente. Do local, por meio de uma porta envidraçada é possível vislumbrar o salão onde ocorrem reuniões e atividades diversas que são desenvolvidas no município. 

Na busca por informações sobre a biblioteca pública em sites na Internet, li comentários que reclamavam sobre a questão do silêncio. Tendo em vista que o espaço é muito aberto e não dispõe de salas mais restritas fica muito difícil estabelecer silêncio absoluto, mas é importante deixar claro que bibliotecas precisam de áreas com silêncio, porém precisam também de pessoas e de movimento.


As imagens abaixo apresentam dados sobre duas exposição temporárias que estavam ocorrendo durante o período em que foi realizada a visita.

A primeira, destacando revistas com personagens da Turma da Mônica, de Maurício de Souza que tinham por objetivo referendar o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos.


A outra exposição sobre literatura censurada tocava sobre tema relevante, especialmente nesse tempo que estamos vivendo no Brasil, em que a intolerância, a ignorância e o fascismo tem se voltado contra a cultura e liberdade de expressão. 


A Biblioteca Centenário dispõe de computadores com acesso a Internet e sinal de wifi disponíveis para os usuários. Possui vários títulos de revistas e acervo de literatura significativo. Dentre os principais serviços que realiza, se destacam empréstimos domiciliares e consulta local.


Na área externa, um aspecto pouco comum nas cidades brasileiras chamou a atenção: a existência de placas de sinalização no centro histórico listando a biblioteca entre outros pontos turísticos locais.


Ao indagar com moradores porém, sobre a localização e ao utilizar o nome Biblioteca Centenário foi possível perceber que várias pessoas desconheciam esse nome, era bem mais reconhecida com o nome biblioteca municipal.

Diferente de outros posts publicados nesse blog, optei por apresentar além da principal biblioteca pública do Poços de Caldas, também outros dois espaços bibliotecários. O primeiro consiste em uma antiga cabine telefônica que foi transformada em Cabine Literária, numa proposta que visa a inclusão por meio de livros livres.


Conforme apontado por Magaly, os livros, oriundos de doações são colocados a disposição do público pela manhã e ao final da tarde o pequeno espaço fica fechado.  Encontrei ali "Viagem a irrealidade cotidiana", de Humberto Eco e no outro dia, o livro "Olga", de Fernando Morais, não resisti...

Além dos dois espaços já comentados foi possível conhecer a Biblioteca Pública Municipal Professor Júlio Bonazzi, também conhecida como “Biblioteca do Monjolinho”.


Dispondo de edifício próprio, a Biblioteca conta apenas com uma pequena placa indicativa, creio que precisava de um grande letreiro para chamar a atenção. Localizada em uma praça, de acordo com  Bibliotecas de Poços de Caldas,
foi criada através da Lei nº 2.439, publicada no Jornal do Município nº 243 (24/08/1976). Conta com uma área construída de 165m², numa praça de 1.428m² sendo referência nas comunidades dos Bairros: Cascatinha, Santa Rita, Monjolinho, Jardim São Paulo, Aparecida e Santo André.
Assim como a Biblioteca Centenário, também apresentava no dia em que realizamos a visita uma exposição com revistas para celebrar o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos.



Haviam poucos usuários no interior da biblioteca por volta das 14 horas, mas o local era agradável, bem cuidado.


Tendo em vista ter visitado tantas bibliotecas posso afirmar que são poucas as cidades do interior do Brasil que possuem mais de uma biblioteca pública municipal, por isso relevante destacar a importância do trabalho realizado em prol da leitura em Poços de Caldas.


Encerro esse post com imagem junto a Magaly Franco e Peter Janzon com o destaque para a beleza da obra do muralista Eduardo Kobra que pintou a face de Ariano Suassuna para o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (FLIPOÇOS ), em 2013. Essa expressão artística logo na entrada da Biblioteca é bonita!

Fotos: Soraia Magalhães e Peter Janzon
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1 comentários:

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9 de março de 2020 07:03 ×

Puxa, estive em Poços de Caldas e só fui à Biblioteca Centenário, e por pouco tempo. Fiquei encantado com a presença de uma rede de bibliotecas na cidade!

Parabéns Samuel Medina (Nerito Samedi).
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