NUNO MARÇAL: PROFISSÃO: BIBLIOTECÁRIO


Algumas pessoas são capazes de nos encantar pelo sorriso, pelo olhar terno, pelos trabalhos que desenvolvem,  pela força com que lutam por seus ideais ou pelo conjunto dessas e outras boas coisas. O Nuno Marçal, Bibliotecário da Rede de Bibliotecas Públicas de Portugal se apresenta envolto em tudo isso e faz um dos trabalhos na Biblioteconomia que considero dos mais importantes. Desenvolvendo atuação junto ao Bibliomóvel de Proença-a-Nova, leva acessibilidade informacional para aqueles que tem tão pouco e tem gerado visibilidade sobre um público potencial de usuários, que sem essa política pública leitora se tornaria mais esquecido. Faz tempo que sigo suas ações nas redes sociais, interesse que começou graças as belíssimas imagens publicadas (que podem ser vistas no blogue O PAPALAGUI). Não é segredo minha admiração por seu trabalho e o desejo de um dia ser passageira em uma dessas que ele chama de "máquina infernal de ir e levar Biblioteca Pública sobre rodas".


1. Conte-nos onde nasceu, cresceu e como foi a sua relação com a leitura nos primeiros anos. 

20-09-1974, cidade de Castelo Branco,19 horas da tarde. Nasci! 

Tive o privilégio de ter pais e outros familiares que sempre promoveram e sustentaram o gosto pelos livros e pela leitura. Desde as primeiras letras que os livros fizeram parte do meu quotidiano. Os meus pais tinham um comércio numa das principais avenidas de Castelo Branco, na qual estava situada uma livraria, onde passava grande parte do dia a vasculhar, folhear, ler e inclusive servir de ajudante. Muitas vezes ficava sozinho (de portas fechadas) enquanto o livreiro ia beber um café. Sozinho numa livraria, com 10/11/12 anos algum efeito “maléfico” tinham de acontecer…. 

A infância/adolescência foi talvez o período em que li mais. BD, clássicos infanto-juvenis, politica, Filosofia, História e Geografia, policiais, espionagem foram os assuntos que mais ocupavam os meus olhos e dedos. 

Na Universidade por culpa do curso voltei-me mais para assuntos sociais e deixei a literatura de lado. Desde que sou Bibliotecário, infelizmente deixei de ler com tanta frequência, mas regressei a literatura e também aos livros infantis (por causa do meu filho!!!). 


2. Quando você teve acesso a uma biblioteca pela primeira vez? 

A primeira vez creio que foi por causa de um trabalho na escola, teria uns 10 anos e foi uma experiência traumática. A frieza, a arrogância, a distância com que fui e fomos tratados pelas funcionarias da Biblioteca fez com levasse muito, muito tempo a entrar, usar e desfrutar das Bibliotecas. 


3. O que lhe motivou a escolher a Biblioteconomia? 

Creio que foi um instinto, apenas e só isso. Estava a terminar a licenciatura em Sociologia e na esplanada da Faculdade estavam uns folhetos a anunciar o curso de Ciências Documentais, levei um para casa, li e resolvi inscrever-me. 


4. Que disciplina mais gostava quando era estudante? 

Estudante de Biblioteconomia? Todas as que falavam de tipologias de Bibliotecas e seu modo de fazer acontecer junto das Pessoas. Detestei todas as que tinham a ver com tratamento documental. 


5. Fale sobre a tipologia de biblioteca tem mais afinidade (escolar, pública, universitária, especializada, etc) 

Biblioteca Pública sem dúvida! Acredito muito no seu poder diferenciador como espaço de Liberdade, Fraternidade, Igualdade e Criatividade no livre acesso à Informação, ao Conhecimento e sempre algo mais. 


6. Conte-nos um pouco de sua trajetória profissional. 

Comecei a minha trajetória num Centro Documental especializado em Saúde, foi uma curta experiência de apenas umas semanas. Em 2000 entrei para os quadros da Biblioteca Municipal de Proença-a-Nova onde fui seu responsável até ao ano de 2005. Em 2006 iniciei funções de Bibliotecário-Ambulante a volante da Biblimóvel de Proença-a-Nova onde estou neste momento a tentar conciliar a Razão e o Coração no tentar fazer acontecer esta Biblioteca Pública sobre rodas. 

7. Que conselho daria para uma pessoa que deseja seguir a carreira bibliotecária? 

Uns dos conselhos é que colocassem de parte a importância dos suportes e formatos que constituem a Biblioteca e dessem mais importância aos conteúdos sempre com atenção aos interesses,vontades e necessidades daqueles para quem as Bibliotecas existem, as Pessoas! 

8. Em que momento você desmistificou o fazer bibliotecário, haja vista que a maioria das pessoas ingressa na universidade acreditando que o ambiente de trabalho está condicionado somente a livros e espaços de bibliotecas? 

Sempre preferi o contacto com as Pessoas e menos o tratamento técnico, a experiência com a Biblioteca Itinerante levou-me a aprofundar ainda mais a crença que as Bibliotecas para sobreviverem têm que voltar a ser relevantes para a Sociedade, importantes para a Comunidade e isso só se alcança se forem Úteis para as Pessoas. Para que isso aconteça temos de estar muito atentos àquilo que oferecemos pois podemos estar a falhar com os interesses daqueles que nos procuram. 

Assim temos que alargar o espectro funcional das Bibliotecas, não apenas focada na promoção do Livro e da Leitura, mas também na aprendizagem de novas literacias (digitais e outras), o livre acesso à informação e conhecimento selecionado, validado e certificado de proveniência e veracidade e sempre algo mais e muito mais que apenas e só promoção do Livro e da Leitura. 

9. Você acha que uma pessoa que escolhe essa profissão tem que gostar de ler? Justifique sua resposta 

Ler o quê? Apenas e só romances? Creio que trabalhar numa Biblioteca temos que gostar e muito de Ler o Mundo e tudo o que nos rodeia, incluindo saber ler as Pessoas. A Literatura é apenas uma das formas de poder e desfrutar da leitura desse Mundo e das Pessoas que nos rodeiam. 

10. Qual a biblioteca mais fantástica que já visitou e a que sonha ainda conhecer? 

A Biblioteca mais fabulosa que conheço,embora nunca tenha lá ido é o Bubisher: http://www.bubisher.org/- , uma Biblioteca Itinerante que leva o sopro da Liberdade a um povo sem terra numa terra sem povo, localizado nos campos de refugiados do Saahara Ocidental. VEJA O VÍDEO:


A Biblioteca mais interessante e completa que visitei foi a Biblioteca Itinerante de Columbus/Zeeland na Holanda, pela sua diversidade, quantidade e qualidade de serviços oferecidos transformam esta Enorme Biblioteca num autentico Centro de Multiserviços VEJA O VÍDEO!!!


11. Dentre os livros que você já leu, cite um e recomende. 

O Papalagui: discursos de tuiavii,chefe de tribo tiavéa nos mares do sul 
O Papalagui adora o metal redondo e o papel forte, gosta de encher a barriga com uma série de líquidos provenientes de frutos mortos, e com carne de porco, boi e outros horríveis animais, mas acima de tudo gosta de uma coisa que se não pode agarrar e que no entanto existe: o tempo. Leva-o muito a sério e conta toda a espécie de tolices acerca dele. Embora não possa haver mais tempo do que o que medeia o nascer ao pór do sol, isso para o Papalagui nunca é o bastante.
Um dos livros da minha vida, li-o pela primeira e não percebi nada (10/11 anos) mas depois na adolescência percebi e fiquei com muitas destas palavras agarradas a mim até hoje. 

12. Qual sua opinião sobre o contexto atual da profissão em Portugal? 

As Bibliotecas e os Bibliotecários atravessam um período de Enormes desafios para a sua implantação e relevância na Sociedade e Comunidade em todo o Mundo. Portugal não é excepção. Um desses enormes desafios para a sobrevivência é precisamente a Utilidade que podemos ter e devemos oferecer as Pessoas só assim podemos sobreviver e reconquistar a relevância e a importância. 

13. Como você vê a atuação da biblioteca pública de sua cidade? 

(Esta não respondo) 

14. Há algum bibliotecário (a) que você considera fora de série? 

Todos nós que fazemos acontecer Biblioteca creio que somos fontes de inspiração e aprendizagem para Todos os outros. 

15. Do que mais gosta na sua profissão? 

O contacto com as Pessoas a tentar fazer acontecer a Diferença nos seus quotidianos por visitarem e usarem uma Biblioteca. 

16. Fique a vontade para fazer seus comentários finais. 

Foi um gosto um dia tropeçar no blogue Caçadores de Bibliotecas e um enorme prazer conhecer cara a cara a Grande Caçadora Sensível que é a Soraia Magalhães. Um trabalho fabuloso na busca, captura e divulgação das mais bonitas e funcionais Bibliotecas. 

A nossa máquina infernal de ir e levar Biblioteca Pública sobre rodas sente-se muito honrada por poder estar neste portfólio e nesta “sala da troféus” de boas caçadas. Caso queiram continuar esta aventura,visitem o blogue: http://opapalagui.blogspot.com/

Saudações Bibliotecárias-Ambulantes 

Nuno Marçal 

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